Na terceira edição da mostra Itinerante de Curtas Latinos - Off Clermont exibiremos curtas sobre a temática: a mulher, o cinema e opoder. No tempo em que temos os dois maiores países da América do Sulpresididos por mulheres, o tema nos pareceu oportuno. E mais aindaquando, no decorrer de nossa pesquisa, descobrimos que a mulherpioneira no cinema latino, a primeira diretora, foi a argentina EmiliaSaleny, em 1917.A segunda pioneira foi uma brasileira, Cleo de Verberena, que noentanto não deixou registros, deixando o posto para Carmen Santos, deorigem portuguesa mas emigrada ainda menina para o Brasil.Na cronologia da história do cinema latino, a ordem é parecida à dapolítica, e curiosamente foi assim desde o começo da imprensa"feminina", orientada para questionar a situação oprimida das mulheresno final do século XIX.Apesar de muitas conquistas das feministas latinas terem ocorrido no início do século XX, impulsionadas pelas tais revistas "femininas", no cinema as mulheres demoraram a ocupar o cargo mais alto na hierarquia cinematográfica. Salvo as senhoras Emilia e Carmen, em quase toda a América Latina as mulheres apenas ocuparam a direção no final dadécada de 60 e começo dos anos 70. Surgiram nessa época grandes nomes, como Marta Rodrigues, colombiana que iniciou no cinema com o papa do documentário francês, Jean Rouch, e a cubana Sara Gomés, que foiassistente de Agnés Varda.
A maior parte dessa produção eram documentários, na maioria de cunhopolítico e social. Uma das primeiras obras de ficção foi a da argentina María Luisa Bemberg, com o filme Señora de nadie, que narra a história de uma mulher que abandona casa e família após saber que o marido a traía, para viver a própria vida.
Não seria absurdo pensar que o pioneirismo destas mulheres no cinematenha colaborado para a ascensão feminina na política. O mais curioso,contudo, é o fato de que hoje, nos países da América Central cujacinematografia tem menos de 50 anos, a produção está concentrada emgrande parte em mãos femininas.Um dos grandes nomes do cinema de Honduras, um país muito pobre, queainda vive sob a ameaça constante de golpes de Estado, é a cineasta Kátia Lara, da Teco Produções. Assim como Kátia em Honduras, a única referência que encontramos de produção audiovisual no Belize é a da jovem Katia Paradis. São muitos os exemplos nos países da América Central de realizadoras mulheres.
Já no Brasil, Argentina, Cuba, Chile e Uruguai, a cena contemporânea é bem equilibrada em termos de gêneros na produção de curta metragem.
Mais do que discutir o gênero no cinema, nos propomos exibir e mostraressa produção através de sua história e evolução, acreditando que amelhor maneira de entender o papel e a importância da mulher naconstrução do patrimônio simbólico cultural da América Latina.